Ode a Los Angeles

Quem esteve no show de Brian Wilson em São Paulo no TIM Festival 2004, sabe muito bem o que não perdeu. Tal como assistir Paul McCartney ou Bob Dylan, a emoção de ver o líder dos Beach Boys naquele seu primeiro show no Brasil foi algo inesquecível. Mesmo os mais céticos que não acreditavam muito nas capacidades motoras de Wilson (enfraquecidas devido ao longo dos anos, pelos excessos do cantor e posteriormente pelo tratamento pesado à base de medicamentos para conter sua esquizofrenia) se renderam nas primeiras notas de “Wouldn’t It Be Nice”, canção que faz parte de “Pet Sounds”, o disco norte-americano mais marcante da década de 60.

Naquele ano Wilson estava promovendo o lançamento de “Smile”, disco que originalmente os Beach Boys começaram a gravar em 1966 mas foi deixado de lado por 30 anos. Concluir “Smile” foi uma vitória na vida do californiano, já que devido ao seu colapso mental iniciado durante as gravações do disco, Brian nunca pode terminar o disco que ele dizia ser mais revolucionário do que o próprio “Pet Sounds”.

Este ano, com a ajuda de Van Dyke Parks, que também co-produziu “Smile”, Brian Wilson lançou “That Lucky Old Sun”. A bolachinha é dividida em cinco partes intercaladas por interlúdios falados pelo próprio Wilson. A revista Rolling Stone americana chamou o disco de uma “carta de amor musical para Los Angeles”, terra natal do cantor. A canção “Surfer Girl”, dedicada a sua primeira namorada, é revisitada em “Forever She’ll Be My Surfer Girl”. Além da musa inspiradora, a “Garota de Santa Monica Beach” de Brian, outras “maravilhas” da cidade são reverenciadas no álbum, tal como a Capitol Tower, o estádio Hollywood Bowl e Venice Beach, espécie de Posto 9 de Ipanema para os californianos. Atualmente Brian está rodando o mundo com a turnê de seu disco novo, a torcida é que mais uma vez ele pare por terras brasileiras para cantar de novo “a música predileta de Paul McCartney” (God Only Knows) e todos os outros hits de sua carreira.